Jornal "A Redempção" ganha título de Patrimônio da Humanidade
04/11/2014
Exemplares datados de 1887 a 1899 estão sob a guarda do Arquivo Público do Estado de São Paulo
O jornal abolicionista "A Redempção" está entre os dez acervos inscritos no Registro Nacional do Programa Memória do Mundo da UNESCO - MoWBrasil. O título - Patrimônio da Humanidade - foi concedido no início do mês pelo Comitê Nacional do Brasil do Programa, que analisou outros 25 projetos.

Os 135 exemplares estão sob a guarda do Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP) desde 2008 e vieram do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP) em caráter de comodato.

A inscrição no Programa Memória do Mundo foi consolidada após diversas pesquisas que confirmaram a raridade do jornal.

Criado pela UNESCO em 1992, o Programa Memória do Mundo reconhece como patrimônio da humanidade documentos, arquivos e bibliotecas de grande valor internacional, regional e nacional, inscrevendo-os nos registros e conferindo-lhes certificados que os identificam. Tendo como objetivo estimular a preservação e a ampla difusão desse acervo, o MoW facilita a preservação desses documentos e seu acesso, contribuindo, assim, para despertar a consciência coletiva para o patrimônio documental da humanidade.

O JORNAL- Os exemplares do jornal eram impressos em uma tipografia localizada na Confraria da Nossa Senhora dos Remédios, da qual o redator chefe, Dr. Antônio Bento, foi provedor. A ele era atribuída a liderança do movimento abolicionista conhecido por 'Ordem dos Caifazes', grupo clandestino que promovia ações de resgate de escravos, escondendo e contrabandeando-os para lugares mais seguros, como o quilombo do Jabaquara, em Santos.

O jornal circulou com regularidade em São Paulo de 2 de janeiro de 1887 até a promulgação da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888. Após essa data foram publicados alguns números em caráter comemorativo. O último da coleção do IHGSP é de 13 de maio de 1899. 'A Redempção' foi um jornal combativo, de cunho manifestamente popular, sempre repleto de ataques a fazendeiros, políticos e a outros jornais que defendiam a instituição escravista.

Pelo seu papel na luta contra os escravocratas, o periódico tornou-se uma fonte valiosa para os historiadores e fonte de pesquisa sobre o processo de abolição em São Paulo.

O estado de conservação no qual se encontrava o jornal quando a coleção chegou ao Arquivo impediu a sua disponibilização para o manuseio dos pesquisadores. O trabalho de montagem dos fragmentos do jornal vem consumindo meses de trabalho contínuo do Núcleo de Conservação, com a ajuda de pinças e cópias de microfilme dos exemplares existentes na Biblioteca Lamont da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Nesse trabalho descobriu-se sete exemplares que se imaginavam perdidos, formando uma coleção de 135 números do jornal. Pelo que se conhece, foram editados no período 156 edições.

Arquivo Público do Estado de São Paulo
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